Anais do 12º Congresso Internacional da Rede Unida
Suplemento Revista Saúde em Redes ISSN 2446-4813 v.2 n.1, Suplemento, 2016
O ABSENTEÍSMO NA EQUIPE DE ENFERMAGEM NA UTI DE UM HOSPITAL
Ana Paula de Lima, Lourdes Missio, Dieny Gonçalves Inácio Cornachini, Layla Oliveira Campos Leite Machado
Última alteração: 2015-10-30
Resumo
Apresentação: A ausência do profissional no emprego é caracterizada por absenteísmo, contudo, por serem inúmeros os motivos para o absenteísmo, entre eles, o adoecimento e o acidente de trabalho, devido às possíveis condições inseguras e inadequadas no trabalho, agentes estressantes que provocam desequilíbrio psicológico e físico (MARTINATO et al., 2010). O absenteísmo na equipe de enfermagem é um grande problema, para as instituições, inclusive as hospitalares, por não estarem precavidas quanto à cobertura do absenteísmo destes profissionais. Contudo, gera-se uma sobrecarga de trabalho para o restante da equipe na unidade de terapia intensiva, assim, comprometendo a qualidade da assistência prestada aos pacientes (COSTA; VIEIRA; SENA, 2009). Para tanto, na unidade de terapia intensiva encontram-se internados os pacientes críticos que necessitam de cuidados intensivos, os mesmos possuem um quadro de saúde delicado, que facilmente evolui de um estado grave para o óbito. Além disso, a UTI é considerada um setor fechado, limitador e estressante, assim, sendo fatores relevantes que contribuem para o absenteísmo dos profissionais de enfermagem (GUERRER; BIANCHI, 2008). Decidiu-se investigar qual o motivo que leva os profissionais a praticar o absenteísmo. A relevância deste trabalho para o meio científico, como para a comunidade social, é a contribuição para as possíveis implementações da própria instituição, onde a mesma poderá reorganizar-se e minimizar os transtornos de gerenciamento e recursos humanos, afastando-se assim a hipótese da insatisfação profissional, evitando o abandono da profissão ou até mesmos descasos com os clientes. Objetivo principal desta pesquisa é traçar o perfil dos profissionais de enfermagem e levantar alguns fatores que os levaram a praticar o absenteísmo nas unidades de terapia intensiva. Método do estudo: Este estudo quantitativo, descritivo e transversal, obteve o colhimento de informações científicas, através de um questionário com 12 questões, sendo 11 questões fechadas e 1 aberta, relacionadas aos fatores que contribuem para o absenteísmo na equipe de enfermagem. Foram entrevistados 18 profissionais da unidade de terapia intensiva de um hospital público de Dourados/MS, no período de abril a maio de 2013. Resultados: Através dos dados acima retirados da pesquisa em campo, nota-se que (78%) é do sexo feminino e dentro desta porcentagem (67%) são técnicas de enfermagem, conclui-se, portanto, que o ambiente de trabalho é predominantemente o sexo feminino e a formação é técnico em enfermagem. A idade entre 26 a 32 anos é predominante o sexo feminino com (38%), a faixa etária entre 33-49 anos também predomina o sexo feminino com (33%), o sexo masculino encontra-se na faixa etária de 33-49 anos com (17%). Os dados acima mostram uma realidade importante, que técnicos em enfermagem com tempo de trabalho menor que 1 ano neste mesmo setor é de (33%), podemos observar que mais de 3 anos de trabalho no mesmo setor estão os técnicos em enfermagem com (28%). Entre 2 a 3 anos estão os técnicos com (6%), os enfermeiros com 17(%) estão entre 1 a 2 anos de tempo de trabalho neste setor. Observou-se que os motivos que levam a falta da grande maioria está relacionado a sobrecarga de trabalho (21%), estresse ( 21%) e dupla jornada (21%), como principais motivos que levam ao absenteísmo. Constatamos que (12%) dos entrevistados faltam por motivos de doenças, confirmando o que Silva et al. (2006) diz que o maior índice de absenteísmo da equipe de enfermagem é relativo ao sistema respiratório. Devido à exposição que a equipe de enfermagem sofre de agentes biológicos, mãos contaminadas se não houver higienização adequada, manuseio de material podendo ter secreções, manuseio de material perfurocortantes, muitas vezes ambiente abafado por falta de ventilação. Manuseio de produtos químicos como os produtos de limpeza para a desinfecção de materiais e ambiente, gases anestésicos podem ser as causas de infecções no trato respiratório. Ficou evidência que (12%) dos entrevistados faltam por motivos de doenças. A dupla jornada de trabalho dos enfermeiros se faz necessário pelo principal motivo, baixa remuneração, assim para suprir procura uma nova fonte de renda, no entanto, tendo mais de um serviço consequentemente sobrecarregam-se, podendo levar ao estresse e influenciar a qualidade de vida e qualidade de serviço prestado por este profissional da saúde (PRETO; PEDRAO, 2009). No estudo evidenciou que (50%) da equipe de enfermagem possuem outro vínculo empregatício os funcionários entrevistados que possuem dois vínculos empregatícios afirmaram que, os principais fatores que levam ao absenteísmo: é a sobrecarga de trabalho com (66%), o estresse com (55%) e a dupla jornada (44%). Também, constatamos que os profissionais com mais de um vínculo empregatício, relataram a falta de motivação com (33%) sendo um fator contribuinte para o absenteísmo. Observou-se ainda, que (78%) dos 18 profissionais de enfermagem entrevistados estão satisfeitos com o seu trabalho. Porém (22%) dos entrevistados dizem que não está satisfeito com o trabalho. Outra resposta dada pela equipe de enfermagem é que (61%) diz que na sua ausência existe outro profissional qualificado para substituí-lo, outros (39%) diz que não existe pessoas para substituí-lo. Dos 18 entrevistados (100%) disseram que suas faltas são justificadas e avisadas previamente para seus superiores. A assistência prestada à pacientes em UTI causa bastante discussão, pois de um lado ela solicita intervenções rápidas, de outro, o emocional também mobiliza os sentimentos que repetidamente expressam-se de forma muito intensa. A enfermagem na UTI engloba a realização de um trabalho permeado por imprecisões, vai do aspecto gratificante ao limitante que estão presentes no dia a dia (GUERRER; BIANCHI, 2008). Considerações finais: O melhor entendimento sobre fatores que levam ao absenteísmo na equipe de enfermagem e conhecer o perfil destes profissionais, tem como benefício o desenvolvimento de ações preventivas ou corretivas dos gestores, pois a ausência de um integrante da equipe de enfermagem na unidade de terapia intensiva, além de ocasionar transtornos à equipe, sobrecarrega os demais companheiros, comprometendo assim a qualidade dos serviços prestados aos clientes. Os profissionais de enfermagem entrevistados relataram que os principais fatores que contribuem para o absenteísmo são: o estresse, a sobrecarga de trabalho e a dupla jornada, acarretando a falta de motivação para o trabalho. Portanto, é de fundamental importância que a instituição tenha a prática da gestão pela qualidade total, atenda às necessidades básicas do profissional de enfermagem para a melhor obtenção de um atendimento de qualidade aos pacientes. Cabe aos profissionais gestores da instituição de saúde, o compromisso de melhores condições de trabalho, a valorização e fortalecimento de sua equipe, confiar e respeitar à opinião de seus colaboradores, por conseguinte, dispor de treinamentos motivacionais e de aprimoramento dos conhecimentos de seus liderados. É importante ampliar o conhecimento já existente acerca dos fatores relacionados ao absenteísmo, poder contribuir para a motivação destes profissionais, tão importantes para o bom funcionamento da unidade de terapia intensiva.
Palavras-chave
(Absenteísmo; Saúde do trabalhador; Equipe de enfermagem).
Referências
COSTA, F.M.; VIEIRA, M. A.; SENA, R. R. de. Absenteísmo relacionado à doenças entre membros da equipe de enfermagem de um hospital escola. Rev. Bras. Enferm, Brasília, v. 62, n. 1, p. 38-44, jan./fev. 2009.
GUERRER, F. J. L.; BIANCHI, F. R. E. Caracterização do estresse nos enfermeiros de unidades de terapia intensiva. Revista Esc. Enfermagem USP, São Paulo, v. 42, n. 2, jun. 2008.
MARTINATO, M. C. N. B.; SEVERO, D. F.; MARCHAND, E. A. A.; SIQUEIRA, H. C. H. Absenteísmo na enfermagem: uma revisão integrativa. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre, v. 31, n. 1, p. 160-166, mar. 2010.
PRETO, V.A.; PEDRAO, L.J. O estresse entre enfermeiros que atuam em Unidades de Terapia Intensiva. Revista Esc. Enfermagem USP, São Paulo, v. 43, n. 4, p. 841-848, mar./fev. 2009.