Rede Unida, 12º Congresso Internacional da Rede Unida

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EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM TRAVESTIS
Scharllet Machado De Gasperi, Martha Helena Teixeira de Souza

Última alteração: 2015-10-27

Resumo


INTRODUÇÃO: As travestis representam o maior contingente das transgêneros, as quais incluem todas as pessoas que assumem socialmente o papel de gênero oposto ao sexo biológico natural. Assumindo as características femininas, algumas fazem aplicação de silicone ou tomam hormônio para feminilizar seu corpo, além de adotarem uma identidade e um nome feminino (MOTT, 2003). Embora alguns avanços tenham se apresentado nos últimos anos, estudos mostram que os serviços de saúde tendem a se organizar para uma clientela heterossexual, limitando suas possibilidades de atuação efetiva junto a pacientes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Pesquisas apontam que as práticas sexuais ou identidades sexuais não normativas de pacientes podem interferir negativamente nas formas de cuidado que recebem em determinados serviços de saúde (MOSCHETA, SANTOS, 2010). A exclusão das travestis é percebida inclusive nas políticas públicas. No Brasil, o Estado passou a fazer e pensar políticas públicas para a população travesti quando esta foi considerada um “grupo de risco”. METODOLOGIA: Em função dos desafios vivenciados por profissionais da saúde diante do cuidado com a população homossexual, foi desenvolvido um relato de experiência sobre o trabalho de educação em saúde realizado com grupo de travestis do município de Santa Maria/RS. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram realizados encontros no pensionato no qual residem uma média de 18 travestis. Neste período foram abordados diversos assuntos, destacando-se a competitividade entre elas, a luta para serem reconhecidas pela sociedade, os conflitos com a família, a prostituição, os riscos com o silicone e, principalmente, a falta de atendimento adequado à sua realidade nos serviços públicos de saúde. Percebeu-se que ao receberem atenção dos acadêmicos de enfermagem as travestis sentiram-se valorizadas e respeitadas. Relatos de descaso nas suas vivências foram frequentes, tais como: “olham para nós sempre com preconceito”, o que acaba as afastando dos serviços de saúde e levando-as a fazer uso da automedicação. Cuidar da saúde para as travestis envolve também o cuidado direto com o corpo, o qual muda constantemente devido a ingestão de hormônios e aplicação de silicone industrial. CONCLUSÃO: Com a realização deste trabalho, verificou-se a importância de uma orientação sólida que prepare os acadêmicos para buscar conhecer a real necessidade dessa parcela da população. Percebeu-se a necessidade de ampliar os espaços de discussões sobre o tema, incluindo neste contexto o enfermeiro, na busca de políticas públicas eficazes. Os estudos desse tema são escassos, por isso a importância da realização de pesquisas sobre ele, visando minimizar as dificuldades enfrentadas pelas travestis no atendimento à sua saúde.

Palavras-chave


Travestis;Educação em Saúde; Enfermagem.

Referências


MOTT, L. Homossexualidade: mitos e verdades. Salvador. Bahia: Grupo Gay da Bahia, 2003.

MOSCHETA, M. S. & SANTOS, M. A. Inclusão e o desafio de criar formas de investigação colaborativas: um relato de experiência. Saúde e transformação Social, 1(1), 154–159, 2010.