Anais do 12º Congresso Internacional da Rede Unida
Suplemento Revista Saúde em Redes ISSN 2446-4813 v.2 n.1, Suplemento, 2016
Disponibilidade de medicamentos para controle da diabetes dentro das Unidades Básicas de saúde da Família de Campo Grande-MS
Kelly Santos Schneider Nunes, Doroty Mesquita Dourado, Sandra Christo de Souza
Última alteração: 2015-10-30
Resumo
APRESENTAÇÃO: Diabetes Mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum à hiperglicemia, a qual é o resultado de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambas,envolvendo processos patogênicos específicos, por exemplo, destruição das células beta do pâncreas (produtoras de insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros. O DM2 é a forma presente em 90% a 95% dos casos, pode ocorrer em qualquer idade, mas é geralmente diagnosticado após os 40 anos.Uma epidemia de DM está em curso. Em 1985, estimava-se haver 30 milhões de adultos com DM no mundo, atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de chegar a 300 milhões em 2030. Muitos indivíduos com diabetes são incapazes de continuar a trabalhar em decorrência de complicações crônicas ou permanecem com alguma limitação no seu desempenho profissional. No Brasil, o diabetes junto com a hipertensão arterial, é responsável pela primeira causa de mortalidade e de hospitalizações, de amputações de membros inferiores e representa ainda 62,1% dos diagnósticos primários em pacientes com insuficiência renal crônica, submetidos à diálise. Mundialmente, os custos diretos para o atendimento ao diabetes variam de 2,5% a 15% dos gastos nacionais em saúde, dependendo da prevalência local de diabetes e da complexidade do tratamento medicamentoso disponível. Protocolos internacionais e nacionais têm proposto que a assistência em DM seja conduzida por uma equipe multiprofissional na intenção de promover cuidado integral, equitativo, resolutivo e de qualidade. O Ministério da Saúde, em 1994, implantou o Programa Saúde da Família (PSF), com o objetivo de proceder à reorganização da prática assistencial a partir da atenção básica, em substituição ao modelo tradicional de assistência.O PSF foi implantado em Campo Grande em 1999, atualmente o sistema municipal de saúde pública conta com 28 Unidades Básicas de Saúde e 34 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF). As UBSF abrigam 86 ESF, destas equipes, 42,95% conta com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), esta estrutura determina uma cobertura do PSF de 35,19% da população. O Programa de Controle do diabetes mellitus foi implantado em Campo Grande no ano 2000 e 15 anos após, existem 25.079 pacientes diabéticos cadastrados em toda rede municipal (UBS e UBSF). O paciente recebe o diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) junto com medidas que orientam modificações em seu estilo de vida (educação em saúde, alimentação e atividade física). O tratamento tem como meta a normoglicêmica, devendo dispor de boas estratégias para a sua manutenção a longo prazo. Sendo indicado quando os valores glicêmicos encontrados em jejum e/ou pós-prandiais estiverem acima dos requeridos para o diagnóstico do DM. As principais medicações utilizadas pelo Sistema Único de Saúde são: a insulina de ação rápida, a insulina NPH, a metformina, a glibenclamida. Assim, notamos a importância em avaliar a disponibilidade de medicamentos para o controle da diabetes nas UBSFs de Campo Grande-MS METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, modelo inquérito de avaliação de serviço que têm por referencial teórico-metodológico as categorias básicas de avaliação da qualidade de serviços de saúde: estrutura-processo-resultado (E–P–R) proposta por Donabedian e Starfield com base nas dimensões da Atenção Primária à Saúde. Serão obtidas informações relativas ao atendimento dos pacientes portadores de Diabetes Mellitus tipo 2, na rede de atenção básica à saúde na região urbana do município de Campo Grande no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2014. O município de Campo Grande tem atualmente 805.397 habitantes de acordo com o Censo IBGE 2010, população ajustada para 2013. Para atender as necessidades de saúde da sua população, o sistema municipal de saúde pública conta com 28 Unidades Básicas de Saúde e 34 Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF). As UBSF abrigam 86 ESF, destas equipes, 42,95% conta com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), esta estrutura determina uma cobertura do PSF de 35,19% da população. A pesquisa foi realizada em 29 UBSF, sendo estas as que aceitaram participar. Este projeto contou com a participação de pesquisadores de três instituições, Universidade Anhanguera-Uniderp (UNIDERP) instituição executora, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Secretaria Municipal de Saúde Pública de Campo Grande – MS (SESAU) como instituições parceiras. As informações obtidas foram sistematizadas na categoria: Informações relativas às medicações disponíveis no serviço de saúde das unidades básicas de saúde da família. A obtenção dos dados se deu por três formulários aplicados cada um a três classes diferentes, sendo elas o paciente, o médico e o gerente da unidade. Cada formulário foi desenvolvido para melhor aferir os dados referentes a essa pessoa dentro da cadeia de atendimento. A aplicação dos formulários foi condicionada a validação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) dos sujeitos da pesquisa. O Banco de dados foi tratado no programa Excel (Microsoft Corp. Estados Unidos) e analisado estatisticamente no Epi Info 6.0 (Centers for Disease Controland Prevention, Atlanta, Estados Unidos) e Bioestat. RESULTADOS: Analisados os formulários, sendo considerados unicamente os dados relativos a medicação e sua disponibilidade, temos a seguinte configuração: relativo a analise dos pacientes foi prescrito medicação a 96,5%, sendo o tratamento medicamentoso exclusivo em 19,7%; relativo a analise dos médicos 81% prescreveram medicação na conduta inicial do paciente com DM2; relativo a analise das UBSFs 3,4% das unidades disponibilizam 2 classes dos principais medicamentos para tratamento, enquanto 65,5% disponibilizam 3, 17,2% disponibilizam 4 e 10,3% disponibilizam 5, sendo (1) Insulina de ação rápida presente em 89,6% das unidades, (2) Insulina NPH em 89,6%, (3) Metformina em 93,1%, (4) Sulfoniluréia em 24,1%, (5) Glicose Hipertônica (50%) em 24,1% e (6) Glucagom em 3,4%. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A grande maioria dos pacientes com diagnóstico de DM2 fazem uso de medicação, e os médicos optam por iniciá-la precocemente o que torna sua disponibilidade essencial para a eficácia do tratamento e prevenção de complicações. Ainda que a maioria das unidades possua medicamentos, apresentam poucas opções de classes para o correto tratamento, sendo que há diferentes indicações conforme a necessidade. A Metformina e as insulinas são as que apresentam maior disponibilidade, o que corrobora com as principais combinações para o tratamento de DM2. A Sulfoniluréia sendo uma das principais indicações combinada com a biguanida (metformina) apresenta muito pouca disponibilidade, sendo alarmante.
Palavras-chave
Diabetes Mellitus; tratamento; ESF;
Referências
American Diabetes Association Standards of medical care in diabetes. Diabetes Care. 32 (Suppl 1):S13-61, 2009..
Departamento de Atenção Básica, Secretaria de Políticas de Saúde. Programa da Saúde da Família. Revista da Saúde Pública, 34, 316-319, 2000.
[IBGE] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [homepage na internet]. Cidades. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm. 2015.
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[MS] Ministério da Saúde. Doenças Crônicas Não Transmissíveis. .http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/2015
[SBD] Sociedade Brasileira de Diabetes. Tratamento e acompanhamento do Diabetes mellitus: Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, Sociedade Brasileira de Diabetes; 2003-2014.