Rede Unida, 12º Congresso Internacional da Rede Unida

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RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA INVESTIGAÇÃO DE ÓBITO MATERNO INDÍGENA NO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO
Kátia Fernanda Alves Moreira, Lucas Noronha de Alencar, Caio Alves Barbosa de Oliveira, Davisson Michetti de Oliveira, Tânia Leal Moreira, Bianca Oyola Bicalho, Aldrin de Sousa Pinheiro, Débora Santos Faria Fernandes

Última alteração: 2015-10-27

Resumo


Este trabalho partiu do projeto matriz intitulado: A Educação Permanente e a integração ensino-serviço em Porto Velho-RO: uma análise qualitativa, sob chamada MCTI/CNPq/MS-SCTIE-Decit Nº 08/2013 e trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciada pelos autores participantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET - Saúde da Mulher Indígena), durante o período em que desenvolveram atividades no Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVEA), localizado na Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho – RO (SEMUSA). Objetivou observar as dificuldades encontradas na investigação de óbitos maternos em uma usuária indígena, levantar dados relacionados ao processo saúde-doença no período gravídico e propor recomendações aos serviços de saúde. Para a coleta de dados da usuária foram utilizados prontuários das seguintes instituições de saúde: Hospitais João Paulo II (HJPII) e Dr. Ary Pinheiro (HBAP), Assistência Médica Intensiva (AMI-PVH), Maternidade Municipal Mãe Esperança (MMME), além das informações coletadas com os próprios familiares. A dificuldade de se obter informações se tornou evidente quando em posse dos documentos da usuária. Destacou-se a desorganização e a falta de registro de dados básicos da assistência, o que coloca em dúvida a qualidade dos serviços de saúde. Além disso, houve resistência na obtenção de dados fornecidos pelos familiares, uma vez que estes estavam receosos de disponibilizar informações a respeito das condições de saúde da usuária. Identifica-se ao longo de todo o processo de investigação recomendações oportunas ao caso, como a necessidade de acesso à informações sobre planejamento familiar, implantação de Unidade Básica de Saúde em sua área residencial, preenchimento adequado de dados básicos assistenciais, como exame físico e sinais vitais, a notificação aos órgãos indígenas e assistência social no momento da admissão hospitalar, bem como o acompanhamento e acolhimento destes durante todo o período de internação. A experiência vivenciada demonstra a necessidade de mudanças nos diversos setores da assistência em saúde ao usuário indígena, principalmente da enfermagem, pois esta permanece em tempo integral com o paciente e deve se adequar as peculiaridades deste. Pode-se identificar também a fragilidade dos órgãos pertinentes ao cuidado do indígena, o qual deve estar mais presente nas questões que o compete, principalmente no que diz respeito à saúde como um todo. Além disso, é necessário que haja uma integração entre os serviços municipais e estaduais de modo que este usuário possa estar assistido em todos os âmbitos.

Palavras-chave


Mortalidade materna; Epidemiologia; PET - Saúde