Rede Unida, 12º Congresso Internacional da Rede Unida

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Cultura de paz em Saúde Mental Comunitária: Caminhos alternativos em rotas críticas de violência
pedro marinho dos santos junior

Última alteração: 2016-01-06

Resumo


APRESENTAÇÃO: A pesquisa bibliográfica em questão estuda a cultura de paz nas ações de uma organização não governamental de saúde mental comunitária, como estratégia para lidar com a violência no território. Os agravos psicossociais da violência sobre a saúde mental da população é cada vez mais perceptível. METODOLOGIA: O estudo foi realizado com o objetivo de evidenciar a cultura de paz nas práticas do Movimento de Saúde Mental Comunitária, uma organização não governamental situada em Fortaleza, capital do Ceará. A instituição é campo de estudos e pesquisa para diversas Universidades de dentro e fora do Estado do Ceará, por causa de suas práticas inovadoras e inseridas em um bairro com índices elevados de violência. A instituição é um conjunto integrado de modalidades de atendimento em saúde mental e educação, composto por um CAPS geral, centros de qualificação para o trabalho, centros de arte educação e departamento para produção e execução de projetos no campo da saúde mental comunitária. Também é polo formador em Terapia Comunitária e desenvolveu a Tecnologia Social Abordagem Sistêmica Comunitária. Nas práticas desenvolvidas pela organização, o conceito de paz não pode ser confundido com passividade. Ele é determinante para ações “[...] a disposição dos sujeitos, a compreensão dos problemas de violência e exige, por sua vez, um processo educacional que possa efetivar uma cultura de paz” (PAIM, 2011, p.1). Pensar a questão da paz na imersão diária dos conflitos mobiliza práticas sociais na valorização de sentimentos como “[...] respeito, dignidade, tolerância, para que, desse modo, se efetive a paz, a educação torna-se um meio indispensável na construção desta sociedade” (PAIM, 2011, p.5). Práticas presentes em uma roda de capoeira, em uma roda de terapia comunitária, na educação profissional por meio da formação humana e na arte educação. Em meio a um território onde a violência em suas diferentes matizes, acontece de forma diária. As ações do Movimento de Saúde Mental Comunitária em conjunto com outros movimentos sociais da região funcionam como práticas de resistência e oportunidades para a juventude da região experimentar outros modos de vida. Conforme Puig (1998), a abertura para o diálogo, sensibilidade e auto regulação são instrumentos que podem auxiliar no desenvolvimento pessoal. A inserção dos valores humanos, presentes nos trabalhos de Araújo, Puig e Arantes (2007), no ambiente educacional promove o pleno desenvolvimento do sujeito que pode pensar, decidir e refletir de forma crítica e solidária. Nos referenciais de Jares (2002), a educação para uma cultura de paz segue a cooperatividade no trabalho em grupo, como elemento didático no processo ensino aprendizagem. Para este autor, os benefícios de uma educação para a paz surgem quando do contato com metodologias problematizadoras no currículo que fazem surgir a percepção crítica da realidade para  a intervenção e transformação.  Exatamente por não ser ausência de conflito, a paz busca o desafio do processo de cooperação (MATOS 2007).

Palavras-chave


Cultura de Paz, Saúde Mental, Violência

Referências