Anais do 12º Congresso Internacional da Rede Unida
Suplemento Revista Saúde em Redes ISSN 2446-4813 v.2 n.1, Suplemento, 2016
ATUAÇÃO DOS ENFERMEIROS NAS EQUIPES DE GESTÃO EM MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE NO NORTE DO PARANÁ
Fernanda de Freitas Mendonça, Brigida Gimenez Carvalho, Thaisa Mara de Melo
Última alteração: 2015-10-30
Resumo
A descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS) submeteu aos municípios maiores responsabilidades no que se refere à gestão das ações e serviços de saúde, inclusive aos de pequeno porte. A participação do enfermeiro na efetivação do SUS é objeto de algumas pesquisas nacionais, que trazem reflexões sobre potências e desafios relacionados à atuação deste profissional no cenário de gestão. Sendo assim, este estudo teve o objetivo caracterizar os enfermeiros que atuam na equipe gestora de municípios de pequeno porte do norte do Paraná. Trata-se de caráter quantitativo desenvolvido a partir do recorte da pesquisa “A gestão do trabalho no SUS em Municípios de Pequeno Porte do Norte do Paraná a partir do olhar da Equipe Gestora”. Os dados foram coletados no norte do Paraná, que conta com 82 municípios de pequeno porte, nos meses de dezembro de 2013 a junho de 2014. Os resultados dessa pesquisa se restringem aos enfermeiros que integravam as equipes de gestão dos 82 municípios. O instrumento de coleta de dados foi um formulário contendo variáveis de caracterização. Os dados foram analisados a partir do Programa EPI INFO. A pesquisa foi aprovada pelo comitê de Ética e Pesquisa com Seres sob o parecer146/2012. Foram entrevistados 176 enfermeiros que atuavam na equipe gestora, A maioria era do sexo feminino (87,5%), com idade superior a 30 anos (65,9%). Um alto percentual (79,5%) possuía pós-graduação, principalmente em saúde pública (36,7%). A maioria referiu atuar na área da saúde entre 5 e 10 anos (44,9%) e na atual função, 40,9% atuavam entre 1 e 5 anos. Estavam ocupando um cargo de gestão pela primeira vez 66,5% dos enfermeiros. A principal função assumida foi à coordenação da Estratégia de Saúde da Família ou Atenção Básica. A quantidade de funções acumuladas variou entre uma a quatorze funções, sendo que 69,9% dos entrevistados (123 enfermeiros) acumulavam mais de uma função. Os enfermeiros integrantes da pesquisa foram questionados sobre o conhecimento acerca dos principais instrumentos de gestão preconizados pelo Ministério da Saúde, assim como sobre a participação na elaboração e/ou discussão destas ferramentas. O instrumento de gestão mais conhecido pelos enfermeiros foi o Plano Municipal de Saúde (94,9%). A Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual foram os instrumentos menos conhecidos. O SISPACTO foi o instrumento em que mais enfermeiros (41,5%) participaram de forma integral. Os enfermeiros também foram questionados sobre as formas de participação nos principais instrumentos de gestão. As principais formas de participação dos enfermeiros nos instrumentos de gestão foram por meio do fornecimento de dados (85,2%) e proposição de ações e metas (81,3%). Diante dos resultados apresentados, verifica-se o quanto a enfermagem tem um papel relevante no que se refere à gestão de municípios de pequeno porte. Apesar de ser elevada a frequência de profissionais que possuem pós-graduação ainda é muito discreta a participação dessa categoria em cursos direcionados para gestão em saúde. A maioria dos cursos são aqueles ainda específicos para a profissão.
Palavras-chave
Enfermagem. Gestão em Saúde. Municípios de pequeno porte
Referências
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